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Belo Monte pode dar prejuízo

Um estudo, lançado pelas organizações Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e International Rivers, revela: a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA), além de causar danos à floresta amazônica e sofrer forte resistência de povos indígenas, poderá ser um péssimo negócio para investidores, instituições financeiras e parceiros (Terra da Gente, 06.01.2011).

O relatório “Análise de Riscos para Investidores no Complexo Hidrelétrico Belo Monte”, aponta que a grande variação de nível do rio Xingu fará com que a potência máxima da usina só seja alcançada nos meses de cheia, enquanto que períodos de seca farão com que poucas turbinas sejam acionadas. A capacidade de geração média será de 4.420 MW, apenas 39% do total da capacidade instalada, de 11.233 MW.

O documento cita uma simulação sobre a lucratividade da operação, elaborada pelo banco Santander. Em um cenário otimista, em que o custo total da usina seria de R$ 20 bilhões, construída em cinco anos e a energia seria vendida por R$ 78 Mwh, o projeto teria um Valor Presente Líquido (VPL) negativo de quase US$ 8 milhões. No cenário mais realista, considerando o custo total de R$ 33 bilhões, tempo de construção de dez anos, e energia vendida a R$ 65 Mwh, Belo Monte teria um VPL negativo de quase US$ 7 bilhões.

Até o momento, organizações da sociedade civil e o Ministério Público Federal já entraram na Justiça com nove ações diferentes, questionando as ilegalidades da obra e do processo de licenciamento ambiental. Ou seja: outro desgaste à própria imagem que os investidores estarão sujeitos. O relatório “Análise de Riscos para Investidores no Complexo Hidrelétrico Belo Monte” é assinado por quatro pesquisadores:  Zachary Hurwitz, Brent Millikan, Telma Monteiro e Roland Widmer, e contou com a revisão de outros seis estudiosos.

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