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Vale pode assumir lugar de Bertin em Belo Monte

SÃO PAULO e RIO. O consórcio Norte Energia está negociando, com cláusula de confidencialidade, com três empresas que têm interesse em substituir a Gaia Energia, subsidiária do grupo Bertin, como autoprodutor no controle da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará ((O Globo, Lino Rodrigues, 18/02/2011).
Segundo fontes do mercado, a Vale seria uma das interessadas. A desistência da Gaia, que detinha 9% como sócio autoprodutor no consórcio, foi anunciada na quarta-feira pela direção da Bertin Energia. A empresa disse que vai focar seus recursos nos projetos das 30 usinas térmicas que estão em andamento, muitos atrasados.

A desistência da Gaia estava prevista no acordo de acionistas do consórcio. A companhia poderia optar por reduzir sua participação para 2%. A Eletrobras, que lidera o empreendimento, ficaria responsável em buscar um novo sócio. O assunto está em discussão no governo federal. Além do risco ao negócio, a demora na escolha do novo sócio poderá atrasar ainda mais o cronograma da obra. A negociação está sendo conduzida por Valter Cardeal, presidente do Conselho de Administração da Norte Energia, diretor de Planejamento e Energia da Eletrobras e homem de confiança da presidente Dilma Rouseff.

Ainda segundo a assessoria da Norte Energia, não há prazo estipulado para a definição do novo sócio autoprodutor, mas a ideia “é resolver a questão o mais rápido possível”. Uma das interessadas, de acordo com fontes do mercado, é a mineradora Vale, vista como a mais cotada para assumir o posto deixado pelo grupo Bertin, que ficou com uma participação simbólica de 1,25% no empreendimento.

A Vale informou por meio de sua assessoria que não vai comentar a informação de que poderia assumir a participação do grupo Bertin na construção de Belo Monte. Mas a empresa, assim como outros grandes consumidores de energia, já havia, em meados do ano passado, estudado a possibilidade de ficarem sócios da hidrelétrica.

O consórcio Norte Energia vai construir e operar a usina orçada em R$19 bilhões, valor tido como conservador pelo setor privado e que poderá chegar a R$25 bilhões. Até o momento, esta era a sua composição: Eletronorte com 19,98%; Eletrobras e Chesf com 15% cada; Fundação Petrobras de Seguridade Social e Participações Bolzano com 10% cada; Gaia Energia e Participações com 9%; Caixa Fundo de Investimento em Participações Cevix com 5%; Construtora Queiroz Galvão e OAS com 2,51% cada; Fundação dos Economiários Federais com 2,5%; Contern, Cetenco Engenharia, Galvão Engenharia, Mendes Júnior Trading e Engenharia e Serveng-Civilsan S.A. Empresas Associadas de Engenharia com 1,25% cada; Siderúrgica Norte Brasil e J. Malucelli Construtora de Obras com 1% cada, e J. Malucelli Energia com 0,25%.

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