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Igreja na militância ambiental

A Igreja Católica, por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), assumiu com clareza uma posição contrária ao agronegócio, às modificações do Código Florestal Brasileiro e à instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu, no Pará (Correio Braziliense,  10.03.2011).

A posição foi manifestada ontem durante o lançamento da Campanha da Fraternidade deste ano, na sede da CNBB, em Brasília. O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, atribuiu ao agronegócio a responsabilidade por boa parte do desmatamento dos biomas brasileiros e ressaltou a “preocupação” da Igreja com o texto do novo Código Florestal, aprovado numa comissão especial da Câmara e prestes a ser votado em plenário. Grandes obras de infraestrutura do governo federal, como Belo Monte e a Ferrovia Transnordestina, foram criticadas pelo bispo.

“Desastres naturais são ocasionados por ocupações desordenadas. Essas ocupações são aceleradas por grandes projetos, com a usina de Belo Monte e a Ferrovia Transnordestina”, disse dom Dimas. Ele contou que a igreja em Altamira (PA) já relata a ocorrência de um fluxo de pessoas superior à capacidade da cidade, em razão do início das obras de uma das maiores hidrelétricas do mundo. “Defendemos o crescimento sustentável.”

O tema da campanha deste ano é Fraternidade e a vida no planeta. O lema — a citação bíblica “A criação geme em dores de parto” — faz referência ao aquecimento global, tratado pela Igreja como verdade científica que precisa ser revertida a partir de uma mudança de hábitos pelos cristãos. Para a Campanha da Fraternidade deste ano, a CNBB incorporou o discurso ambiental. No texto-base usado pelos fiéis, há longos capítulos sobre gases de efeito estufa, mudanças climáticas e uso de fontes limpas de energia. O documento chega a incentivar os fiéis a entrarem na internet e calcularem a chamada “pegada ecológica”, que mostra a contribuição de cada pessoa ao meio ambiente. Esse é um projeto da organização não governamental WWF.

Ao discorrer sobre o tema da campanha da fraternidade, o secretário-geral da CNBB lembrou que meio ambiente é um assunto recorrente. Em 1979, o tema foi Preserve o que é de todos. Agora, a preocupação central é com o aquecimento global. Discussões antigas, porém, continuam na ordem do dia para a igreja. “No caso da internacionalização da Amazônia, não é o amor à ecologia que está por trás”, disse dom Dimas. Ele defendeu que o novo Código Florestal não seja votado de forma “superficial e apressada”. Para o padre Luiz Carlos Dias, secretário-executivo da Campanha da Fraternidade, o agronegócio “exerce pressão para abertura de novas áreas de desmatamento”. “Esse modo de produção não preserva a natureza.”

A Campanha da Fraternidade foi idealizada pela Cáritas Brasileira em 1961. Surgiu como forma de arrecadar fundos para atividades de assistência social da entidade. A CNBB tornou o projeto nacional três anos depois. Desde 1970, o papa envia uma mensagem para a abertura da campanha, que ocorre tradicionalmente na quarta-feira de cinzas. A evangelização encabeçada pelos católicos ocorre no período da quaresma. Um tema diferente é o pano de fundo a cada ano.

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