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Belo Monte é tema de debate no Pará

Na quinta-feira (7), cerca de 200 pessoas entre deputados, ONGs e representantes da sociedade civil se reuniram na Assembleia Legislativa de Belém durante uma audiência pública para discutir Belo Monte e seus impactos às populações locais. (O Eco Amazonia, 07.04.2011)

“A audiência foi aprovada por unamidade entre os membros da comissão porque entendem que as famílias não podem ser prejudicadas pela construção da hidrelétrica”, afirma o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS).

Apesar de o tema norteador ter sido voltado às populações tradicionais, durante a audiência os deputados discutiram diversos assuntos relacionados à usina, como viabilidade econômica e impactos socioambientais. “Em tese, ninguém de bom senso pode ser contra a geração de energia hidrelétrica, mas existem casos e casos”, disse João Salame (PPS). Ele afirmou, ainda, que grandes obras de infraestrutura na região não beneficiam os amazônidas, que continuam tendo que conviver com falta de eletricidade e ruas esburacadas. “Foi isso o que conquistamos com tantos projetos no Pará”.

Há quem tenha discursado a favor a usina. “Eu já vim preparado para vaias”, afirmou José Leitão Viana, presidente do Crea no Pará, entidade vinculada ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia . “Como engenheiro acompanho o projeto há muito tempo, faltam informações técnicas e gerais, mas Belo Monte é fundamental para o país”, disse pouco antes de, de fato, ser vaiado. As poucas posições favoráveis à usina foram geralmente embasadas na necessidade da produção de energia. No entanto, a maioria dos presentes demonstrou ser contra o projeto. “Se esta usina sair, Altamira, que já tem índices altos de dengue e malária, vai virar península de um lago podre e perfeito para a proliferação de muito mais mosquitos” afirmou Dom Erwin, presidente do Conselho Indigenista Missionário e vencedor do Prêmio Right Livelihood 2010, espécie de Nobel Alternativo em reconhecimento por sua luta pelos direitos humanos de povos indígenas.

Felício Pontes, procurador do Ministério Público Federal do Pará, lembrou do comunicado da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao Brasil e espera que a comissão da câmara dos deputados compreenda e apoie as solicitações feitas. “A imagem do país já está arranhada e pode ficar ainda pior caso não obedeça às recomendações da OEA. O Brasil pode virar réu na corte da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Por inúmeras razões, se formos colocar na balança, os malefícios de Belo Monte superam os benefícios”.

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