Início Notícias Belo Monte já começa a mudar rotina de Altamira

Belo Monte já começa a mudar rotina de Altamira

A autorização do Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para o início de construção da Hidrelétrica de Belo Monte, na semana passada, já movimenta a população do Oeste do Pará, especialmente em Altamira (O Estado de S. Paulo, 08.06.2011).

Além da escalada dos preços de alguns serviços, como locação de imóvel e de veículos, a cidade começou a receber moradores de outras regiões. Calcula-se que nas últimas semanas cerca de 3 mil pessoas desembarcaram no município, número que deve subir rapidamente nos próximos meses.

Eles estão de olho nas vagas que serão abertas para levantar a megahidrelétrica (11.233 MW) e nos negócios criados pela obra. A construção da usina criará 18 mil empregos diretos e 80 mil indiretos. As primeiras vagas já começaram a ser preenchidas, afirma o diretor-geral da Unidade de Negócios de Energia da Andrade Gutierrez, Flávio Barra, presidente do conselho do consórcio construtor de Belo Monte. Cerca de 110 pessoas foram treinadas pelo grupo para exercer funções de carpinteiro, pedreiro e armadores.

“A grande maioria dos profissionais treinados deve ser contratada pela empresa”, diz Barra. O executivo destaca que o consórcio vai privilegiar primeiro os moradores da região e apenas depois vai buscar gente de fora. Até agora cerca de 10 mil pessoas se cadastraram para trabalhar nas obras da usina, sendo entre 10% e 15% mulheres.

Outro fato que vai movimentar a região será a chegada da primeira frota de máquinas, tratores, escavadeiras, caminhões e equipamentos que vão abrir o caminho para a construção do alojamento provisório dos trabalhadores. Na primeira leva, serão cerca de 400 veículos. Todos serão transportados por via rodoviária e sairão de várias partes do País, como São Paulo e Vitória. Alguns equipamentos foram importados.

Barra diz que a expectativa é que os veículos cheguem em Altamira nos próximos 15 dias. Isso se o caminho permitir. A frota de veículos terá de superar vários obstáculos. Um deles é trafegar pela Transamazônica em período de chuva. Outros equipamentos devem chegar na região pelo rio, mas ainda vai demorar um tempo. Primeiro a empresa terá de construir um porto para receber os veículos e materiais de construção. A frota total deve somar 2 mil equipamentos.

Rodada de negócios
Amanhã e sexta-feira, Altamira ficará agitada. A cidade vai abrigar a primeira rodada de negócios entre o consórcio e as empresas da região. Diversos representantes de entidades empresariais do Pará confirmaram presença, como sindicatos de comércio e construção, e a federação da indústria do Estado.

Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco da Amazônia e Banco do Brasil vão participar do evento e oferecer suas linhas de crédito para as empresas. O objetivo da rodada de negócios é mostrar às companhias as demandas criadas pela construção da hidrelétrica. Da mesma forma, o consórcio construtor terá a noção exata da capacidade de oferta das empresas locais e o que terá de importar de outras regiões.

6 COMENTÁRIOS

  1. Quantos Auditores do Trabalho há em Altamira?
    Qdo os sindicatos locais irão cobrar providências? Qdo for encontrado trabalho escravo feito por crianças? Quem vai encontrar?

  2. Sou estudante de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Amapá, moro em Macapá há 15 anos, mas nasci em Altamira e sempre que posso (SEMPRE mesmo) vou à Altamira visitar meus familiares. Eu sou apaixonada pela cidade onde eu nasci e , com certeza, isso se dá pela exuberância da paisagem que encontro por lá. As notícias de "emprego fácil" já circulam por aqui, e pessoas que moram há anos aqui Macapá estão pensando em voltar pra sua terra natal em buscar de "melhoria de vida". Altamira está sofrendo uma transformação indescritível e, infelizmente, muitas pessoas que moram lá acreditam nos eufemismos que contumam usar quando se trata de Belo Monte.

  3. Rapaz, eu moro em Altamira, hoje dia 10.09.2011, a cidade tá um caos, triste de ver. A especulação imobiliaria é história, com aumentos de até 500% no aluguel, a cidade tá inchada e os serviços públicos não receberam uma melhorazinha sequer. Além disso, começou com forças as invasões e bolsões de miséria, pedintes, prostituição, bebados pelas ruas.

    Enquanto isso, apenas se ver pessoas de fora desfilando em belos carros, sorrindo e pouco se preocupando se isso aqui vai ser insuportavel, pois qdo terminar as construções, vão embora, deixando centenas na miséria e uma infindável tristeza.

    Lamentável o que o Governo Federal tá fazendo, Consorcio Belo Monte tá oferecendo 96 reais por um pé de cacau, uma mixaria e ainda justifica que é o negócio do ano.

    O que é mais triste, que o GF vai despejar essas pessoas e vai deixar o dinheiro lá na conta, e se quiser, pegue, senão quiser, vá pedir dinheiro na rua. É uma opressão e desrespeito com qualquer direito que as pessoas que aqui moram possuem.

  4. morei minha vida todo em altamira isso que dizer que morei 26 anos nessa cidade e ela nunca desenvolveu como deveria tem um ano que sai dai e vie morar em manaus mais agora com a chegada dessa hidreletrica eu acredito que tudo vai melhorar ja ta melhorando veja so a cidade ta mais gitada gerando renda. Eu acredito que tudo vai ser bem melhor daqui pra frente pra esses altamirense deichei minha familia air em altamira e acrediti que eles vao crescer juntos com altamira esse e o meu desejo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

*


Últimas notícias

Banzeiro, o novo podcast do Movimento Xingu Vivo

A partir de julho de 2020, o Movimento Xingu Vivo para Sempre passa a produzir o podcast Banzeiro, para falar de coisas...

Podcast BANZEIRO

A partir de julho de 2020, o Movimento Xingu Vivo para Sempre passa a produzir o podcast Banzeiro, para falar de coisas importantes para...

Projeto Belo Sun coloca Amazônia brasileira em risco de contaminação

ISA - Uma avaliação técnica concluiu que a mina de ouro que a empresa canadense Belo Sun Mining pretende instalar na Volta...

Debate Amazônia em conflito: quem põe preço e quem dá valor – a disputa entre os predadores e os povos da floresta

A Amazônia sempre esteve em disputa entre os que a parasitam e aqueles que nasceram nos territórios e deles vivem. Há...