Nota de apoio da Associação Brasileira de Antropologia

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Nota do GT Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) sobre a criminalização do Movimento Xingu Vivo para Sempre

O modo como tem sido conduzido o processo de implantação da Hidrelétrica de Belo Monte tem sido alvo de ações civis públicas e de diversos questionamentos e moções de instituições e pessoas da sociedade civil preocupadas com a garantia dos direitos sociais e ambientais, arduamente construídos no período pós-redemocratização do Brasil. O descumprimento de preceitos constitucionais, que se traduz na destruição de territórios e na desestruturação de relações sociais de populações indígenas e camponesas, já iniciado a partir do extemporâneo processo de licenciamento ambiental, iniciado em 2010, avança sem diálogo, sem compromisso social e sob muita indignação.

Demonstrando esta indignação, indígenas, camponeses, pescadores, moradores do campo e da cidade, defensores do meio ambiente e dos direitos dos povos realizaram o Encontro Xingu+23, nome que faz alusão ao encontro dos Povos Indígenas contra as Hidrelétricas no Rio Xingu, realizado em 1989.

Desde a realização do Xingu +23, há um amplo processo de criminalização do protesto e da indignação, assim como de pessoas que dele participaram, culminando com a solicitação de prisão preventiva de onze participantes.

O GT Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da ABA repudia todas as formas de ameaça aos direitos sociais e ambientais e se solidariza com todos e todas que defendam os direitos das populações indígenas e tradicionais, os direitos assegurados constitucionalmente, os direitos humanos, o direito à vida.

Brasília, 28 de junho de 2012

Andréa Zhouri – Coordenadora do GT
Sonia Magalhães – Vice-Coordenadora

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