Comunidades reassentadas paralisam actividades da Vale Moçambique

Os manifestantes impediram a saída de Comboio para a Beira. FIR está no terreno a reprimir os manifestantes com o uso de força excessiva

Canalmoz, Tete, Moçambique – Mais de 700 famílias reassentadas pela Vale Moçambique no Bairro de Cateme, Distrito de Moatize, estão a manifestar-se, desde a madrugada de ontem, 10 de Janeiro de 2011 contra as que consideram ser precárias condições de vida a que estão sujeitas desde finais de 2009. Protestam contra as dificuldades de acesso à água, terra e energia. Querem terras próprias para a agricultura pois deixaram de dispor delas. Acusam a Vale de incumprimento de promessas de indemnização. Dizem que há infiltração de água das chuvas nas casas construídas pela Vale quando tiveram de deixaram as suas zonas de origem para dar lugar à exploração de carvão. Estes constituem alguns pontos do pacote de reivindicações dos manifestantes.

“Conforme as promessas da empresa Vale, muitos dos pontos a empresa não cumpriu desde 2009, altura em que fomos reassentados”

, disse um popular reassentado falando a partir da Vila Sede de Moatize, citado num despacho de imprensa enviado à nossa Redacção.

A nossa Reportagem em Tete esteve no terreno onde ocorrem as manifestações e confirmou a ocorrência da rebelião da população. “A posição da empresa (Vale) tem sido sempre de manipular os factos, quando reclamamos, sempre nos ignoram, como se de animais nos tratássemos, e estão aqui a tirar o carvão, nossas riquezas, não ganhamos nada com a exploração do carvão, aqui em Moatize, isto é injustiça”, disse Jorge Manuel, de 54 anos de idade, um dos revoltosos em Cateme, manifestando o espírito do grupo dos manifestantes.

De acordo com fontes contactadas telefonicamente pela Justiça Ambiental a partir de Cateme na tarde de ontem, terça-feira, as manifestações das comunidades reassentadas de Cateme expressam o contínuo ambiente de tensão social e descontentamento generalizado da população, que se vive naquele Bairro nos últimos seis meses, e a incapacidade do Governo em resolver as suas preocupações, refere aquela ONG no comunicado que citamos.

Na primeira quinzena de Dezembro de 2011, a população agora revoltada enviou um documento-queixa ao Governo do Distrito de Moatize, ao Comité Distrital do partido Frelimo e à Vale Moçambique, solicitando a rápida intervenção das autoridades competentes na solução dos problemas enfrentados pelas comunidades reassentadas. “Em Dezembro enviámos uma carta às autoridades de Moatize avisando que a população iria se manifestar caso medidas urgentes não fossem tomadas até ao dia 10 de Janeiro corrente”, disse um reassentado num contacto telefónico. No documento de Dezembro, a população de Cateme prometia incendiar o comboio de carga e transporte de carvão da Vale caso o Governo não agisse para parar com as irregularidades da empresa. A verdade é que esta manhã (NR: ontem) o comboio teve que recuar e já não fez o trajecto que devia ter feito devido às manifestações junto da linha-férrea.

Logo no início das manifestações, como tem sido recorrente, as autoridades governamentais, não tardaram, mandaram a FIR (Força de Intervenção Rápida), para reprimir a população, torturando-a, com recurso a chamboco, armas de fogo, designadamente as AK47, num acto claro de violação dos direitos humanos.
A FIR é uma unidade da Polícia da República de Moçambique conhecida no País por reprimir violentamente e usar força excessiva contra civis desprotegidos.

Até ao momento, as autoridades governamentais ainda não se pronunciaram oficialmente.
Ainda segundo o mesmo comunicado, “o Administrador de Moatize e uma Brigada da Polícia chefiada pelo Comandante distrital destacada para Cateme encontravam-se no local”.

A Vale sempre recorre à PRM e FIR para reprimir greves dos trabalhadores e manifestações populares que reclamam por melhores condições de trabalho e de habitação no reassentamento e cumprimento de promessas feitas pela Vale. (José Pantie)

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