Meio Ambiente, CUT e Ethos debatem a devastação ambiental e trabalho escravo

Observatório Social – Na manhã desta quinta-feira, 17 de fevereiro, o IOS lançou a edição especial da Revista Observatório Social. “A Floresta que Virou Cinza” foi apresentada pelo jornalista Marques Casara, que junto com o fotógrafo Sérgio Vignes, investigou durante nove meses a cadeia produtiva do carvão e do aço no Pará. No lançamento, Ministério do Meio Ambiente, CUT e Instituto Ethos participaram de uma mesa de debates para discutir os problemas apontados pela reportagem e as ações necessárias para a criação de um modelo de desenvolvimento sustentável.

O presidente do Observatório Social, Aparecido Donizeti da Silva abriu o lançamento contextualizando o trabalho do IOS e ressaltando a importância de se discutir os temas relacionados ao meio ambiente e ao trabalho. “O objetivo aqui hoje não é só ficar denunciando, é mostrar o problema real encontrado e debatê-lo. É acabar com o trabalho escravo, o trabalho decente e fortalecer o fórum tripartite”, defendeu.

Segundo Marques Casara, os objetivos da reportagem eram identificar os atores que atuam na produção e fornecimento de carvão ilegal para a indústria global do aço. Ele que voltou a investigar o pólo Carajás depois de sete anos, afirma que as siderúrgicas da região jamais conseguiram produzir de forma sustentável.

Paulo Itacarambi, diretor executivo do Instituto Ethos, acredita que o momento é de analisar as ações que são feitas para combater as irregularidades. “Quando aumentou o controle, chegaram outras formas de burlar a lei, mas se isso significar progresso, o objetivo tem que ser desmontar essa corrupção”. Para ele, o mais importante dessas ações que são feitas a partir de denúncias, como é o caso do Pacto Pela Erradicação do Trabalho Escravo, é a confiança que se adquire no processo.

Luiz Antônio Correia de Carvalho, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente, disse que o país tem um dilema, de um lado erradicar a pobreza, se desenvolver, e de outro, precisa fazer isso contemporaneamente, sem abrir mão da biodiversidade brasileira. “É preciso que se combine ações de desenvolvimento com ações de preservação”, afirmou.

Para ele, o Pará é um caso emblemático, por causa dos escândalos e das prisões de agentes, mas não pode ser considerado um caso insolúvel. Ele ressaltou a ação da Polícia Federal nos últimos oito anos, como prova de um esforço do governo de ampliar o serviço de inteligência para combater irregularidades e corrupção. E ainda deixou claro que a questão deve ser discutida não apenas pelo Ministério do Meio Ambiente, mas com o conjunto do governo.

O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva defendeu a denúncia como importante para mostrar que a grande dificuldade da CUT é responsabilização empresarial ao longo da sua cadeia produtiva. Como exemplo, ele citou grande quantidade de mortes e acidentes de trabalho em empresas terceirizadas, vítimas com as quais a empresa contratante do serviço não quer se comprometer.

Ele acredita que apesar dos avanços, “o que está sendo demonstrado é que só olharmos para o Pacto ou empresas fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho não é suficiente. O que vemos é a criatividade do setor empresarial para burlar as fiscalizações”, disse. “Nós demoramos muito tempo para conseguir implementar que crescimento é diferente de desenvolvimento, agora queremos desenvolvimento tratado de forma igual nos três pilares: econômico, social e ambiental”, concluiu.

, , ,

No comments yet.

Leave a Reply