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Nota de repúdio: Licença de Belo Monte é brutalidade sem precedente contra o povo do Xingu

A liberação das obras de Belo Monte, assinada nessa quarta, 26, pelo Ibama, é o primeiro grande crime de responsabilidade do governo federal neste ano que nem bem começou.

Foi dado sinal verde para que um enorme predador se instale às margens do Xingu para devorar a mata, matar o rio e destruir nossas casas, plantações e vidas, atraindo centenas de milhares de iludidos, que este mesmo governo não consegue tirar da miséria. Em busca de trabalho, que poucos encontrarão, eles chegarão a uma região sem saneamento, saúde, segurança e escolas.

Denunciamos esta obra, que quer se esparramar sobre nossas propriedades, terras indígenas e a recém reconhecida área de índios isolados, como um projeto genocida. Denunciamos essa obra como um projeto de aceleração da miséria, do desmatamento, de doenças e da violação desmedida das leis que deveriam nos proteger. Denunciamos que toda essa miséria, violência e destruição será financiada com dinheiro público dos contribuintes, através do BNDES.

Denunciamos a liberação de Belo Monte como um ato ditatorial da pior espécie. O Ibama afirma que se reuniu com “organizações da sociedade civil da região”, mencionando nossos nomes. Nestas reuniões, deixamos claro o que pensamos da usina. Deixamos claro que não queremos seu lixo, seus tratores, sua poluição, sua violência, sua exploração, seu trabalho escravo, suas doenças, sua prostituição, suas poças de água podre e seu desmatamento nos nossos quintais (ou naquilo que nos restará de nossas terras e não nos for roubado pelo governo). Porque observamos perplexos, enojados e aterrorizados o que vem acontecendo nas obras de Jirau e Santo Antonio, no Rio Madeira, em Rondônia.

De que adiantou falarmos? Não fomos ouvidos, e ainda travestem nossos protestos em “diálogo” para legitimar uma aberração engendrada para retribuir favores a financiadores de campanha. Denunciamos como uma brutalidade sem precedentes a forma pela qual fomos atropelados e ignorados, e tivemos nossos direitos ridicularizados pelo governo.

Anunciamos que vamos continuar enfrentando este projeto com todas as nossas forças. Temos a lei do nosso lado, e cresce de maneira vertiginosa o apoio de milhares de brasileiros e cidadãos conscientes do mundo todo à nossa causa. E responsabilizamos desde já o Governo Brasileiro por qualquer gota de sangue que venha a ser derramada nesta luta.

Assinam e  apóiam:

Movimento Xingu Vivo para Sempre
Prelazia do Xingu
CIMI
Associação dos Povos Indígenas Juruna do Xingu km 17 – APIJUX KM 17
Associação do Povo Indígena Arara do Maia – ARIAM
Associação Indígena Tembé  de Santa Maria do Para – AITESAMPA
Comissão Pastoral da Terra – CPT
SOCALIFRA
SOS Vida
SINTEPP Regional
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Associação dos agricultores Ribeirinhos do PDS Itatá
Associação dos agricultores ribeirinhos do Arroz Cru
Movimento Negro Altamira e Região
Movimento de Mulheres Campo e Cidade – PA
Colônia de Pescadores de Porto de Moz Z-64
União da Juventude Organizada do Xingu – UJOX
MPA/Via Campesina
PJR/Via Campesina
Comissão de Justiça e Paz – CJP
Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo
Sul/Ba.
AARPI
Associação Radio Comunitária de Altamira
Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade
Associação dos Agricultores Familiares do Canoé e Cutião
Fundação Tocaia
Comité de Desenvolvimento Sustentável de Porto Moz
Associação dos Agricultores da Volta Grande do Xingu
Associação dos Pequenos Produtores, Extrativistas e Pescadores da Região do Arroz Cru
Associação dos Produtores Orgânicos da Volta Grande do Xingu
Associação dos Pequenos Agricultores da Gleba Paquiçamba
Moradores da Comunidade Belo Monte
Aldeia Paquiçamba
Comitê em Defesa da Vida das Crianças Altamirenses
Movimento de Mulheres Trabalhadores de Placas
Movimento das Mulheres Campo e Cidade – Transamazônica e Xingu
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre – Belém
Fórum da Amazônia Oriental – Rede FAOR
Associação Brasileira de Ongs – Regional Amazônia (ABONG/Regional Amazônia)
Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes – APACC
Frente em Defesa da Amazônia, Santarém
Rádio Rural de Santarém, PA
Aliança Tapajós Vivo
Rede Brasileira de Arteducadores
Instituto de Transformance: Cultura e Educação
Instituto Amazônia Solidária e Sustentável-IAMAS
Jornal A Verdade
Partido Comunista Revolucionário – PCR
União da Juventude Rebelião – UJR
Movimento Luta de Classes – MLC
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB
União dos Estudantes Secundaristas de Belém – UESB
Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana do Pará – Sindilimp/PA
Instituto Humanitas de Belém, Pará
Comitê Independente por Justiça Ambiental/RJ
Fundação Tocaia,  Altamira, Pará
Terra de Direitos
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, UFMT
Instituto Caracol
Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos (SDDH)
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
Elo, Ligação e Organização
Instituto Indígena Maiwu de Estudos e Pesquisa de MT
Amigos da Terra Brasil
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
Fundação Tocaia
Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais
Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará
Fórum Carajás
Fase Amazônia
Forum de Mulheres da Amazônia Paraense
Instituto Justiça Ambiental
Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva – CEDEFES
Rede Costeiro-Marinha e Hídrica do Brasil – REMA
Justiça Global
Instituto Terramar
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA
Articulação de Mulheres Brasileira – AMB
Federação das Organizações Quilombolas de Santarém
Terræ Organização da Sociedade Civil
Iterei- Refúgio Particular de Animais Nativos
Centro de Referência do Movimento da Cidadania Pelas Águas Florestas e
Montanhas Iguassu Iterei
Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte / Paraná
Associação de Saúde Ambiental / Paraná
Instituto Universidade Popular – Unipop/Belém
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará-CEDENPA
Central de Movimentos Populares
Ong Novos Curupiras
Ong Guarcuru
Grupo Ambientalista da Bahia – Gamba
Assesoar/PR
ONG Miraserra/RS
Conservação Internacional Brasil
IGRE- Associação Sócio-Ambientalista/RS
Instituto Matogrossense de Direito e Educação Ambiental
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares no Ceará
Reporter Brasil, SP
Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia, ENEBio
Grupo de Trabalho de Mobilização Social, GTMS
Rede Axé Dudu
Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental, REMTEA
Rede Justiça nos Trilhos, PA

10 COMENTÁRIOS

  1. O Governos Lula/Dilma e seus apoiadores têm-se revelado imbatíveis, também, no que se refere à cultura da ambigüidade. Ao tempo em que se destacam na implementação de políticas compensatórias, bloqueiam a Reforma Agrária, transferindo recursos do INCRA para o agronegócio (cf. análises de Ariosvaldo Umbelino, da USP), e fomentam uma política ambiental desastrada. Belo Monte é um exemplo emblemático!

    Diante de um fato tão grave, perguntamo-nos, perplexos:o quê leva o ser humano a uma posição tão enrijecida contra todas as evidências? A que(m) servem Projetos como Belo Monte, Transposição das águas do São Francisco e tantos outros?

    Não há outro caminho senão o compromisso da sociedade civil com a causa dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos camponeses, das populações ribeirinhas, das populações rurais e urbanas, buscando visibilizar e ampliar seu protesto, cada vez mais forte.

    Não ao extermínio que representa Belo Monte!

    Solidariamente aos atingidos e atingidas e ao Planeta,

    Alder Júlio F. Calado

  2. Estamos acompanhando o processo. Aqui em Cotia, estamos nos mobilizando contra a construção da Usina Belo Monte, isto é, belo monstro, porque esta obra sistematiza a matéria acima: mata, oprime, enfraquece a vida de todos dos povos indígenas e de todos nós.

  3. Navegar pelo rio Xingu junto aos habitantes daquela região é algo inesquecivel, que viva o rio xingu como ele é, e sempre foi. Fonte de vida que alimenta muitas vidas. Não vamos permitir que o curso da natureza seja modificado pela ganancia do homem branco.

  4. Nossa vida e uma ponte para a Eternidade. Devemos preservar esta ponte e nao destrui-la. o Xingu merece permanecer, nossos indios merecem permanecer. Como brasileiros devemos preservar o que é nosso, não destruir nossas riquezas naturais. Ao invés disso porque não moralizar nossos poderes públicos começando com o Congresso: todos os deputados e senadores devem trabalhar 40 horas semanais, registrando o ponto diário como todo trabalhador brasileiro. O tempo de serviço no Congresso deve ser contado para a aposentadoria apenas isso, se não tiver tempo deve continuar trabalhando ao sair de lá até completar o tempo necessário para se aposentar. Os reajustes devem ser de acordo com a inflaçao como de todos os trabalhadores brasileiros. A imunidade também deve ser retirada já que os trabalhadores não gozam dessa regalia. Como se ve a gente precisar arrumar primeiro a nossa casa antes de atacar a natureza em busca de lucro. Deixem a amazonia em paz. Ela existe antes de nós e merece continuar existindo, vamos apenas corrigir o que está errado e não praticar mais erros. Vamos pensar e trabalhar pelo nosso povo, começando com os mais necessitados, doentes, pobres, desamparados, desdentados, etc Vamos preservar este paraiso que é o Brasil. O poder é para isso. E o Brasil merece.

  5. Parem imediatamente com essa barbaridade, o povo precisa de muito mais que uma Usina Hidréletrica no meio do selva, onde as necessidades das pessoas que lá vivem são diferentes. Eles precisam do seu habitat seguro para viverem em paz. Esta é uma comodidade que não as intreressa, e economicamente falando isso é uma loucura.
    Ouçam o povo que vota em vocês, porque o povo está gritando que não está de acordo com esta atitude.
    Economicamente isso é uma loucura.

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