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Usinas hidrelétricas levam criminalidade a Rondônia

A região das obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, registra uma explosão de criminalidade e de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes. O aumento dos problemas supera o ritmo do crescimento populacional (Folha de São Paulo, 23.03.2011).
A obra de Jirau foi palco de revolta de trabalhadores na semana passada e o canteiro foi depredado. As usinas começaram a ser construídas no segundo semestre de 2008. A população de Porto Velho, onde estão as duas obras, cresceu 12,5% entre aquele ano e 2010.A expansão populacional de Rondônia foi de 2,7%.

Já o número de homicídios dolosos na capital aumentou 44% no mesmo período. Para o promotor Aluildo de Oliveira Leite, que acompanha o impacto das obras, o efeito social das obras foi “subdimensionado”.

A ampliação do hospital de base da cidade, que era prevista, não foi concluída. Em janeiro, os Ministérios Públicos Estadual e Federal cobraram do governo do Estado e da prefeitura “ações sociais efetivas” para o distrito de Jaci-Paraná. O objetivo, segundo o documento, é “reduzir a alarmante prostituição e tráfico de drogas” no local.

Segundo Raiclin Silva, do Juizado da Infância, as áreas próximas aos canteiros tinham participação mínima nos resgates de menores e agora são metade do total. O número de estupros em Rondônia cresceu 76,5% de 2008 a 2010. A quantidade de crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual subiu 18% no período.

Mais de 37 mil funcionários, na maioria homens vindos de outros Estados, trabalham nas duas obras. “É como se houvesse um garimpo”, diz Silva.

OUTRO LADO
Segundo o consórcio Energia Sustentável do Brasil, o programa de compensação da obra de Jirau prevê repasse de R$ 156 milhões ao governo estadual e prefeitura. O consórcio Santo Antônio Energia disse que repassou recursos para a segurança pública estadual. Já o governo estadual e a prefeitura não se pronunciaram.

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