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Ribeirinhos atingidos não conseguem reunião com Norte Energia

Pela segunda vez consecutiva, o Consórcio Norte Energia (Nesa) não compareceu a reunião com ribeirinhos da Volta Grande do Xingu.

Responsável pela construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, a empresa foi convidada por moradores de comunidades diretamente afetadas pelas construções preliminares da hidrelétrica a dar satisfações sobre a obra. Segundo eles, a Nesa tem ignorado completamente sua existência.

“Somos nove propriedades e eles simplesmente nos pularam. Eles sabem que nós queremos outro tipo de discussão”, explica a moradora da comunidade Arroz Cru, Aldice Freitas da Silva. Ela se refere aos lotes dos canteiros de obras e alojamentos de trabalhadores que, através de empresas terceirizadas, foram negociadas ou estão em negociação.

Segundo a ribeirinha, as negociações tem sido feitas individualmente com os proprietários de cada terra, evitando reuniões coletivas. “Eles sabem que é muito mais difícil nos enrolar quando estamos em conjunto. Por isso, eles não permitem nem que os familiares participem das reuniões”, complementa.

“Esse é o diálogo que o governo diz que tem com os povos atingidos?”, questiona a coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antonia Melo. O Movimento esteve hoje na comunidade para acompanhar a reunião – assim como no último dia 16, data da outra reunião não realizada. “A empresa boicotou a reunião na semana passada. Boicotou novamente esta semana. E ainda o governo tem a coragem de dizer aos jornais que todos estão sendo ouvidos”, disse Antonia.

Primeira reunião
A reunião, proposta por ribeirinhos do município de Vitória do Xingu, uma das cidades atingidas pela construção de Belo Monte, era para ter acontecido no último dia 16. Na ocasião, estavam presentes na reunião o Ministério Público Estadual, Defensoria Pública, dois canais de televisão, una equipe francesa de cinema, além da assessoria jurídica do Movimento Xingu Vivo Para Sempre.

No entanto, já próximo do horário da reunião, um barco aporta na comunidade. Era um engenheiro da Norte Energia, acompanhado de diversos funcionários da empresa terceirizada E-labore, com o recado de que a empresa não realizaria a reunião por motivos de agenda. Um ofício foi redigido no ato e entregue ao engenheiro, que prometeu cumprir o novo calendário – mas não cumpriu.

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