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Belo Monte gastará mais com juros do que com preservação

A empresa que construirá a usina de Belo Monte gastará mais com os juros de empréstimos do que com as ações para suavizar os impactos socioambientais da obra no rio Xingu (Folha de São Paulo, 28.05.2011).

A informação consta em um orçamento, enviado em março deste ano pela Nesa (Norte Energia S.A.), empreendedora da hidrelétrica, ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). De acordo com o documento, a Nesa prevê pagar R$ 3,8 bilhões de juros durante a construção.

Dos R$ 27,4 bilhões que a usina custará no total, dado citado no orçamento, ao menos R$ 20 bilhões devem vir de empréstimos conseguidos junto ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). O dinheiro será liberado após a empresa conseguir junto ao Ibama a chamada licença de instalação, que autoriza o início da obra. Esse custo financeiro é mais de R$ 100 milhões superior aos R$ 3,7 bilhões que a empresa afirma prever gastar com “terrenos, relocações e ações socioambientais”.
Na descrição da conta, há definições abrangentes sobre as ações em que o montante será investido.

GASTOS PREVISTOS
O maior gasto único nesse campo, de R$ 1,4 bilhão, é com um conjunto de ações chamado “meio socioeconômico cultural”.
Ele aglomera desde os gastos com “comunidades indígenas e/ou outros grupos étnicos”, de R$ 112,5 milhões, até “apoio aos municípios”, de R$ 745,8 milhões.

Dentro dos R$ 3,7 bilhões a Nesa inclui também custos com a aquisição de áreas para a construção de canteiros, a criação do reservatório e os gastos com as relocações de estradas e ferrovias. A Folha perguntou à Nesa como essas últimas ações se relacionam à recuperação dos danos ao ambiente, motivo primordial das críticas à usina. A empresa disse que não comentaria.

Para o Ministério Público Federal no Pará, que contesta a hidrelétrica na Justiça, o problema do documento é que ele é genérico e não explica como esses gastos vão ocorrer ao longo do tempo. Essa indefinição, segundo a Procuradoria, é mais grave diante da expectativa de que a licença seja concedida nas próximas semanas. Nesta semana, os procuradores voltaram a recomendar que não seja autorizado o início da obra antes que as condições impostas pelo próprio Ibama estejam cumpridas.

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