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Militante do Xingu Vivo é escolhida como representante da América Latina em prêmio internacional

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A educadora popular e membro do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Ana Laíde Barbosa, recebeu nesta terça, dia 13, o Premio Cientista Corajosa pelo Meio Abiente e Justiça Climática, de Viena, Áustria. Segundo os organizadores, o Prêmio, criado pelo historiador austríaco Dr. Norbert Mayr, homenageou “seis pessoas extraordinárias de diferentes partes do mundo que lutam por justiça diante do colapso ecológico e climático” do Planeta. “O prêmio foi criado a partir da convicção de que, diante do colapso ecológico, ações corajosas e incondicionais em defesa da natureza e do meio ambiente precisam ser apoiadas e tornar-se visíveis”, explica Mayr. “Pessoas em todo o mundo enfrentam a destruição ambiental impiedosa, mesmo sob as condições mais adversas. Seu compromisso, perseverança e coragem fazem delas modelos indispensáveis.”

Ana Laide que, como parte do Movimento Xingu Vivo, atua na Volta Grande do Xingu há mais de 15 anos, é formada em Etnodesenvolvimento na Universidade Federal do Pará (UFPA) e tem mestrado pela Universidade de Brasília (UnB). Mas o reconhecimento internacional, que a destacou como representante da América Latina no prêmio deste ano, se deu pela atuação com povos e comunidades atingidos pela hidrelétrica de Belo Monte e ameaçados pela mineradora Belo Sun na região, explicaram os organizadores. Ao mesmo tempo, as reflexões que ela tem desenvolvido em âmbito acadêmico a partir das leituras e experiências nos territórios, bem como seus posicionamentos e atuações em espaços nacionais e internacionais, foram considerados fundamentais pelo júri, composto por cientistas e acadêmicos renomados na Áustria.

Para Ana, este prêmio é coletivo. “É do Movimento Xingu Vivo e dos povos do Médio Xingu. Lutamos com o rio contra Belo Monte e hoje enfrentamos outro monstro, a Belo Sun. Empresas que se vendem como ‘belas’ mas que são agentes da morte. Este prêmio consagra nossa resistência e protege nossa luta”, afirma.

Sobre os premiados
Além de Ana Laide, o prêmio Cientistas Corajosos homenageou duas grandes personalidades e laureou quatro pessoas, representantes de suas respectivas regiões. Os homenageados foram o nigeriano Dr.Nnimmo Bassey (Prêmio Honorário pelo Conjunto da Obra), reconhecido por décadas de trabalho e combate às violações de direitos humanos e ambientais pela extração de petróleo no Delta do Níger. Bassey também foi o vencedor do Right Livelihood Award em 2010, premio conhecido como o “Nobel alternativo”. A outra homenageada foi a hondurenha Berta Cáceres (Prêmio Honorário pelo Conjunto da Obra), reconhecida por sua resistência contra o projeto da barragem de Agua Zarca, em defesa do povo indígena Lenca. Cáceres foi assassinada a tiros em 2016. Investigações revelaram uma conspiração de alto nível envolvendo a empresa operadora da barragem DESA, resultando na condenação de sete coautores do crime e, em 2022, na sentença de seu diretor executivo como mentor intelectual do assassinato.

Os demais premiados foram:

Dr. Akino Miyagi – OKINAWA / JAPÃO
Pesquisadora de borboletas que conscientiza sobre os impactos ambientais das bases militares dos Estados Unidos, apesar da perseguição estatal. Em 2025, foi condenada a uma pena de três anos de prisão (com suspensão posterior da execução) por atos de desobediência civil.

Dr. Malik Oedin – NOVA CALEDÔNIA
Principal pesquisador de morcegos da Oceania, reconhecido por seu trabalho na proteção da biodiversidade e no envolvimento das comunidades locais por meio da organização Gardiens Des Îles.

Seble Samuel, M.Sc – ETIÓPIA
Organizadora comunitária e ativista pela justiça climática, cofundou a Lem Ketema (“florescimento urbano” ou “cidade próspera”) para recuperar espaços públicos, revitalizar práticas ecológicas tradicionais e fortalecer o direito à cidade em áreas urbanas da Etiópia. Como chefe de Campanhas e Advocacy para a África na iniciativa global Fossil Fuel Treaty Initiative, trabalha na construção de alternativas à economia baseada em combustíveis fósseis.