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Indígenas do Xingu pedem ajuda de Marina contra ameaças de Belo Monte

No dia 12 de outubro, lideranças indígenas das terras Juruna do Km 17, Juruna do Pakisamba e Arara da Volta Grande do Xingu, áreas que serão diretamente impactadas caso a usina de Belo monte seja construída, enviaram um pedido de socorro à Marina Silva.

Na carta, enviada também aos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1a região em Brasília e aos presidentes da funai e do Ibama, os indígenas voltam a apontar as ameaças do projeto da usina, em especial a desastrosa seca dos 100 km do rio na volta Grande do Xingu, que deverá dificultar a navegação e a pesca, imprescindíveis para a sua sobrevivência.

No tocante às três áreas, as condicionantes impostas pela Licença Provisória, dada ao projeto pelo Ibama no início deste ano, exigem a demarcação da Terra Indígena Arara e a retirada de não índios das outras áreas. Nenhuma medida foi cumprida até o momento.

Veja a seguir a íntegra da Carta:

Á Excelentíssima Sra.
Marina Silva
Senadora da República Federativa do Brasil
Cc/ para:
Senhoras /Senhores desembargadores do TRF1- Brasília
Presidentes da Funai, IBAMA, MMA.

Senhora  Marina Silva,
Senhores e Senhoras autoridades brasileiras.

Nós lideranças indígenas do Xingu, abaixo assinadas, vimos de público, manifestar nossos cumprimentos pela expressiva votação, reconhecimento da população brasileira que não suporta mais o atual modelo governamental de desenvolvimento excludente e destruidor com base no saque dos nossos recursos naturais e massacre da nossa vida.

Queremos mais uma vez tentar elevar nossa voz mais distante! Denunciar e pedir providências pela forma ditatorial como o governo brasileiro vem tratando a questão indígena frente ao projeto da hidrelétrica de Belo Monte, em particular os povos indígenas Juruna do Km 17, Juruna do Pakisamba e Arara da Volta Grande do Xingu.

Mais uma vez GRITAMOS que não fomos ouvidos, e denunciamos a manobra mentirosa da FUNAI, IBAMA, ELETRONORTE, ELETROBRÁS quando de má fé e por ocasião do componente indígena estiveram em nossas aldeias fazendo estudos antropológicos e apresentação do projeto Belo Monte, ao afirmarem que não estavam realizando as oitivas, que neste caso o congresso nacional viria ouvir todos os povos indígenas da região. No entanto fomos surpreendidos  com as declarações do governo afirmando que já havia realizado as oitivas dos povos indígenas. Denunciamos tal crime e pedimos providências urgentes.

Outro crime contra nós indígenas é a questão apresentada no EIA – (Estudos de impactos ambientais) de Belo Monte, que não foi considerada pelo governo brasileiro, a SECA DE MAIS DE 100 Km  na Volta Grande do Rio Xingu, que banha nossas Aldeias, RIO esse que é NOSSA VIDA. Esta é a prova mais clara que o governo está mal intencionado em acabar com a sobrevivência do nosso povo, nossa cultura a nossa vida.

O que vamos fazer com o rio seco, um grande deserto infestado de doenças?

Não sobreviveremos a este massacre anunciado jamais!!! NÃO QUEREMOS BELO MONTE.

Este é mais um dos nossos muitos gritos de socorro!

Vitória do Xingu 12 de Outubro de 2010

Assinam:
Ozimar Pereira Juruna- Aldeia Pakisamba
José Carlos Ferreira –  Terra Wangã Aldeia Maia
Sheyla Yakarepi da Silva Juruna – Aldeia Boa Vista Km 17

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